quinta-feira, 30 de agosto de 2012

destração

Os cavalos mostram-se
animais de fuga
no ego, no prego
ou no prelo
escondidos
marcham
sisudos, ávidos
a cuidar demasiado
de um si
desafinado

falta-lhes a lógica
das musas,
a canção
as notas várias
os cavalos
ah, os cavalos
ca val ga m
sem aprender
a cantar

pois,
na insegurança,
fogem calados
para o escuro
bem escuso
lado do ser

há pasto
e repasto infinito,
conversas
de marchas picadas,
de frases batidas,
e há fuga,
sempre a fuga

inseguros e
cansados
os cavalos dispuseram
os passos
passaram
a pensar na cavalgada.

assim  começaram
a carregar nos lombos
homens e sentimentos,
e aceitaram celas.

Mas a pampa ou a fraga
sempre estará ali
como convite eterno
ao nada inseguro
insinuante
que deseja disparar
seus ventos
sobre os dorsos febris,
selvagens e fugidios
daquele que marcha

Tarde de sol

No peito bate
um clichê e (dizer mais o quê?!)
um coração apertado

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Frio e Brígida

Dada à rigidez, ela não encontrava companheiro. Isto não era ruim, havia o frio para cobri-la quando, à noite, ela sentisse falta de alguém. Frio logo se tornara o seu parceiro. Como boa namorada que era, logo teria de reservar espaços na sua casa para a chegada do mais novo amante. Ao pé da cama, um par de chinelos esculpidos no piso, roupão com a inicial F bordada em azul. Pra esperá-lo, banhos gelados e nudez em pleno inverno. Ocorre que o tempo propiciador das núpcias passou, e o calor da nova estação lembrou-a de que as compressas e o ar condicionado não a livrariam do triste reconhecer-se viva, e ser de calor. Mas amava-o e havia decidido: iria à Sibéria. Lá se rendeu como jamais, ou como sempre havia desejado, embora ela não contasse com o fato de que a morte sacramentasse a união. Congelada. Concubina. Só?

Familiar

Minha velha cadela tem um tédio, humano. Penso que ela espera a morte. Ela deve se perguntar remotamente, em imagens recordadas do preto branco da sua visão e memória(que labirinto!), o que será pensar na morte ao ver-me olhá-la. Ela olha pra mim três longos segundos, respira fundo e desvia suas pidonas córneas para o chão.